Schumpeter e Peter Drucker mudaram a administração

É na virada para o século XX que as primeiras teorias sobre a administração moderna começam a tomar forma. Os mais conhecidos, Taylor e Fayol, com suas respectivas abordagens tentavam conceber princípios que deveriam ser seguidos pela crescente quantidade de empresas e de corporações que já se formavam. As empresas se tornariam o locus onde as inovações se concretizariam.

É também nessa época que Schumpeter começa a enriquecer teorias econômicas a partir da importância da inovação e do empreendedorismo como motores para acelerar o desenvolvimento econômico.

Conta-se que o pai de Peter Drucker, Adolf Drucker, organizava periodicamente encontros de um seleto grupo para discussão dos mais diversos temas como economia, psicologia, história, evolução humana dentre outros e que desse grupo participavam personalidades conhecidas como Freud, Mises e o mesmo Schumpeter. Em 1922, o jovem Peter, então com dezesseis anos, começou a participar como ouvinte dessas discussões. Mais tarde, Drucker iria reconhecer a profunda influência que esses encontros tiveram em sua formação e personalidade.

Ter a oportunidade de assistir às digressões de Freud sobre a natureza humana, sua evolução, e também suas neuroses, estabelecidas a partir da nossa relação com desejos, aspirações, poder ou fama, tudo isso, quando ainda jovem, deixaria marcas importantes na forma com que Drucker passaria a perceber tais relações na dinâmica das empresas.

Polímata, dentre as diversas contribuições de Drucker foi a de pensar a organização empresarial além de suas fronteiras a partir de percepções e olhares diversos.

O contato contínuo com a mente brilhante de Schumpeter e sua teoria sobre a importância e o alcance das inovações tecnológicas para o progresso das sociedades, por certo, foi amalgamando em Drucker a percepção da importância das empresas para que ideias novas pudessem ser materializadas.

Inovações nuclearam (e continuam a nuclear) grandes empresas e muitas delas continuaram a crescer a partir de sua cultura inovativa. Empresa e Inovação são faces da mesma moeda geradora de riquezas. Uma não acontece ou progride sem a outra.

De um lado, conceituar a inovação disruptiva, a que destrói o que existe e dá a luz ao novo (destruição criativa), talvez tenha sido a maior contribuição de Schumpeter para entender o início e o fim dos ciclos econômicos.

Por outro lado, olhando a vasta obra de Drucker, boa parte dela provoca as empresas a terem na inovação o seu maior desafio. Desenvolve e indica diretrizes de como a liderança deve tratar o assunto, criando uma verdadeira obsessão para que as empresas vissem o binômio Cliente & Inovação como o de maior importância dentre todos.

O século XX pode ser parcialmente compreendido pela evolução da mobilidade das ciências da vida. Não à toa, as empresas mais valiosas desse século militavam nessas áreas. Hoje, só a Apple, por exemplo, tem valor de mercado superior a todas as antigas automobilísticas juntas! Mudam as inovações, ciclos econômicos são encerrados ou ajustados, novas empresas se tornam gigantescas quase da noite para o dia, e tudo isso só confirma o legado deixado pela dupla Schumpeter & Drucker.

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5 Comentários. Deixe novo

  • Washington Pinho
    abril 11, 2024 2:08 pm

    Excelente artigo Murilo !

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  • Wagner Sildemar de Almeida
    abril 12, 2024 11:10 am

    Excelente artigo!

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  • HAROLDO+DE+FARIAS+RIBEIRO
    abril 13, 2024 1:55 pm

    Excelente abordagem. Em termos de gestão, tivemos nos anos 90 duas grandes vertentes aqui no Brasil: a Reengenharia e a Qualidade Total, a primeira oriunda do Ocidente, e a segunda do Japão. Infelizmente não tivemos a mesma ênfase para a produtividade e a inovação. Salvo raras exceções, como a WEG, a Embraer, a exploração de petróleo em águas profundas, a agricultura tropical incentivada pela Embrapa, e recentemente a criação do PIX pelo Banco Central, basicamente tivemos destaques nestas duas linhas, inovação e produtividade. Parabéns, Murilo, por mais uma vez trazer à tona temas relevantes de gestão empresarial.

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  • HAROLDO+DE+FARIAS+RIBEIRO
    abril 13, 2024 1:56 pm

    Excelente abordagem. Em termos de gestão, tivemos nos anos 90 duas grandes vertentes aqui no Brasil: a Reengenharia e a Qualidade Total, a primeira oriunda do Ocidente, e a segunda do Japão. Infelizmente não tivemos a mesma ênfase para a produtividade e a inovação. Salvo raras exceções, como a WEG, a Embraer, a exploração de petróleo em águas profundas, a agricultura tropical incentivada pela Embrapa, e recentemente a criação do PIX pelo Banco Central, basicamente NÃO tivemos destaques nestas duas linhas, inovação e produtividade. Parabéns, Murilo, por mais uma vez trazer à tona temas relevantes de gestão empresarial.

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  • Mario Olavo Magno de Carvalho
    abril 13, 2024 3:11 pm

    Ótima abordagem de tema muito relevante.
    Gostaria de ver, Murilo, uma abordagem complementar que falasse do perfil desejável para viabilizar o acesso das empresas à inovação, por vezes ainda muito inacessível.
    Uma tecnologia disrupitiva como a invenção do LASER nos anos 50, por exemplo, foi considerada uma solução para um problema ainda não existente. De fato transcorreu muito tempo para que o mundo tecnológico desenvolvesse uma tecnologia baseada no LASER.
    Hoje, o mundo empresarial se apropria muito mais rapidamente do conhecimento e se a emprea não for ágil e flexível o bastante para assimilar as transformações daí decorrentes, não apenas indoors, mas no ecossistema empresarial, ela estará fadada à obsolescência, encerrando um ciclo.

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