Metáforas e Rotina

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Autor: Murilo Sampaio

Se não qualificar, qualquer palavra que você use para responder à pergunta “o que é a minha rotina?” deverá ser uma metáfora. Apropriações de significados, as metáforas são pontes entre o simbólico e o real. Palavra que troca de lugar, utilizamos a metáfora querendo tornar nossa narrativa mais instigante e tocante.

Transferimos (pherein,do grego) palavras para além (meta) de seus significados apreendidos. Metaphora é sobrepor ideias com palavras diferentes e capazes de empurrar fronteiras. A linguagem e a ciência evoluíram e continuam a evoluir utilizando das metáforas. Ampliam percepções, concebem modelos e modificam o simbólico e o real.

A palavra organização pode ser tomada como um exemplo. Até o século XIX era plena de significados biológicos. Vários órgãos do corpo davam sentido aos sistemas fisiológicos. Ergon, do grego trabalhar, organum, aquilo que funciona indo além do órgão musical. Ampliamos os sentidos com as metáforas. Palavras e significados devem sempre ser metaforizados. Redefinimos nossos modelos mentais quando nos educamos a brincar com elas. Organização, como uma instituição social, é mais um resultado do que as metáforas podem nos ajudar a fazer.

Quais seriam as metáforas que eu utilizaria para descrever minha rotina? Minha rotina é repetição, é tédio, a ausência de mim? Minha rotina é aventura, é descoberta, é estar presente? É luta ou festa? Ela pode ser (e talvez seja) todas essas coisas. Mas, de fato, nossa rotina será mesmo as metáforas que usamos consciente ou inconscientemente ao vivenciá-la.

Minha rotina é também definida pela cultura em que habito, a alteridade em todas as suas instâncias e meu livre arbítrio (espécie e espécime, o outro e eu). Das organizações sociais, interessa-me aqui, a empresa.

Se a empresa é uma máquina, eu serei uma peça. Se a empresa é uma escola, eu serei um aprendiz. Se a empresa é uma guerra, eu morrerei cedo ou tarde. É difícil dissociar minha rotina de onde eu passo a maior parte da vida. Mas, o livre arbítrio é do indivíduo, é de dentro para fora. A institucionalidade define o que é uma empresa, mas podemos ressignificar a nossa através das metáforas escolhidas.

São os líderes que definem as metáforas que nortearão a evolução da empresa. Em outras palavras, são os líderes da organização em que trabalho que poderão moldar a minha rotina.

Há décadas, as empresas declaram visão, missão e valores (metáforas em certo sentido). Já esteve mais em moda essas declarações, visando contribuir para a criação de uma cultura elogiável. No entanto, a prática de seus líderes pode não estar sempre em fase com o discurso da empresa. A tecnologia, interligando todos com simultaneidade, acaba deixando evidente se a prática e a prédica coincidem.

No final, minha rotina é o desdobramento das metáforas que regem a empresa em que trabalho e as metáforas que orientam a minha vida. Por mais importante que essa questão seja, metáforas e rotina, ela é pouco discutida em nossa educação ou mesmo objeto de reflexão pessoal.

Devemos refletir sobre o tema e responder à questão “O que é a minha rotina?”.

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