Diagnosticando a empresa viva

Dialética Análise Alternativa
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Autor Murilo Sampaio

Em 1996, publiquei o livro chamado “Diagnosticando a empresa viva” que, na capa, destacava os temas principais tratados: “Um modelo para repensar valores e papéis da empresa” e, logo abaixo, “A transformação da liderança convencional em liderança dialética”.

Comecei a escrevê-lo após deixar a direção da principal empresa de manutenção industrial do país na época, CEMAN, que seria mais tarde comprada pela ABB e, inexplicavelmente, desapareceria.

Vinte e seis anos depois, vejo que a abordagem dialética, para a compreensão das necessárias mudanças nas empresas, permanece tão atual quanto pouco utilizada para a melhoria da gestão de nossas organizações.

No livro, a ideia de uma realidade em permanente mudança, fluida, interpretada a partir de forças antagônicas substitui a ideia da organização inspirada na metáfora da máquina, enquanto funcional. Entender a empresa como uma célula viva em homeostase com o seu redor, também cambiante, sempre me fascinou como um desafio dialético a sintetizar experiência e teoria.

A significação prática da dialética, enquanto método filosófico, a questionar contínua e dinamicamente, a realidade, seus polos e antagonismos, em busca da verdade, é pra mim um estímulo para evoluir. Trocar os fundamentos prescritivos que norteiam nossas escolas de gestão por um ambiente de livre pensar e ao mesmo tempo obter resultados práticos diferenciados. Filosofia e administração, tudo a ver.

A rotina controlada, padronizada e performante é essencial para começar a destruí-la e dar espaço para o novo. Sempre procurei uma metáfora que inspirasse a organização a se reinventar permanentemente, além de organogramas, personogramas e departamentos. Peças das máquinas organizacionais deveriam ser repensadas como células vivas em interação.

A CEMAN, uma universidade, subverteu a concepção de organização hierarquizada e departamentalizada, ao mesmo tempo que criava, padronizava e destruía rotinas. O novo seduzia tanto quanto a rotina.

A subversão é uma atitude tão necessária quanto o espírito de melhoria contínua. Da repetição vem o novo.  O novo, em seguida, precisa de teste e rotina pra virar uma inovação lucrativa. Hoje, na pandemia, esse atributo de construir e destruir é ainda mais demandado. A exponenciação tecnológica que experimentamos só aumentará, mas as organizações exitosas não prescindem da atitude dialética moldada pela subversão e a padronização.

A CEMAN originou o livro, sendo ela própria a experiência com resultados práticos e estratégia inovadora. O modelo proposto só pode dar resultados positivos a partir do construto da liderança dialética. Assim, liderança, rotina, estratégia e inovação são os quatro elementos básicos e essenciais que são revisitados pelo olhar dialético, como método filosófico, e uma atitude de permanente questionamento.

 

 

 

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