A Liderança monta o quebra-cabeça daquilo que ainda não existe

Diagnosticando a empresa viva
6 de dezembro de 2020
Até que ponto a experiência ajuda?
17 de fevereiro de 2021

Autor: Murilo Sampaio

Observar e abstrair. Foco e imaginação. Atenção e relaxamento. Rotina e Inovação. Todas essas atividades precisam nos habitar e, mais ainda, estarem vivas na liderança das organizações. Aparentemente antagônicas, essas atividades devem coexistir para a evolução sustentável.

Os modelos de abordagem binária são úteis na compreensão prescritiva de como fazer e melhorar as rotinas, mas insuficientes para destruí-las e dar à luz ao que ainda não existe: atender ao novo a ser criado.

Repetir para melhorar e escalar. Imaginar para semear o novo. A gestão dialética deve tornar essas duas atividades igualmente necessárias e presentes ao longo de nosso processo evolutivo.

A educação deve substituir o “ou” pelo o “e” em grande parte das rotinas empresariais. Os cenários são como um “quebra-cabeças” que deve montar uma cena que ainda não existe. O real jamais é previsto com precisão até que aconteça. Ainda procuramos isolar partes que, caprichosamente, devem ser juntadas para que possamos ter alguma chance de apreender o real.

A realidade contém infinitas variáveis que precisam ser isoladas, controladas ou minimizadas para que possamos criar modelos teóricos e embasar nossas decisões operacionais, mas sobretudo, as estratégicas. As tecnologias atuais, ao contrário, tendem a ser mais inclusivas e complexas, reduzindo e aposentando os modelos simplificadores.

O caminho que trilhamos é também o caminho que não existe ainda. Todavia, damos passos incertos e conhecidos para que o novo se estabeleça. Nada é tão dialético quanto o novo, trazido por futuras repetições com padrões distintos.

Somos o que fomos abraçados com o novo que chega. Estamos no tempo a ser decifrado com tudo e todos que nos habitam.

A inovação nasce da repetição fecundada pela abstração, mas sem rotina, a inovação não prospera. Há tempo de repetir e teremos que repetir o que ainda não existe. Há tempo para destruir o que existe (e até performa), mas na realidade esses tempos devem estar presentes quase todo o tempo.

Gosto de pensar sobre como estruturar essas necessidades simultâneas que as organizações, cada vez mais, precisam para sua nova cultura. À liderança cabe a montagem desse quebra-cabeça.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Contato